O Tesouro Direto é considerado o investimento mais seguro do Brasil, garantido pelo Governo Federal. Criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3, o programa democratizou o acesso aos títulos públicos, permitindo aplicações a partir de aproximadamente R$ 30.
Segundo dados do Tesouro Nacional, o programa ultrapassou a marca de 2,5 milhões de investidores ativos em 2025, um crescimento de mais de 300% em relação a 2020. Mas afinal, como funciona o Tesouro Direto, quais são os tipos de títulos e qual é o mais indicado para o seu perfil?
Veja também: Melhores Investimentos em 2026 — Guia Comparativo
Neste guia completo, vamos responder todas essas perguntas e mostrar como você pode começar a investir hoje mesmo.
O que é o Tesouro Direto e Como Funciona
O Tesouro Direto é um programa do Governo Federal que permite a pessoas físicas comprarem títulos públicos pela internet. Na prática, quando você investe no Tesouro Direto, está emprestando dinheiro ao governo brasileiro, que em troca paga juros sobre o valor aplicado.
O funcionamento é simples: você abre conta em uma corretora habilitada, acessa a plataforma do Tesouro Direto (pelo site ou app da corretora) e escolhe o título que deseja comprar. O investimento mínimo gira em torno de R$ 30, tornando o programa acessível para praticamente qualquer pessoa.
A liquidez é diária — o Tesouro Nacional garante a recompra dos títulos em qualquer dia útil. Porém, é importante entender que vender antes do vencimento pode gerar ganho ou perda, dependendo das condições de mercado no momento da venda.
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Se você está começando agora, confira nosso guia de investimentos para iniciantes para entender os conceitos básicos antes de aplicar.
Tipos de Títulos do Tesouro Direto
O Tesouro Direto oferece três categorias principais de títulos, cada uma com características e finalidades diferentes. Entender essas diferenças é fundamental para fazer a escolha certa.
Tesouro Selic (LFT)
O Tesouro Selic é o título mais conservador do programa. Sua rentabilidade acompanha a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Confira também: CDB, LCI e LCA: Comparativo Completo para Escolher o Melhor Investimento
Características principais:
- Rentabilidade: acompanha a taxa Selic (atualmente em 13,25% ao ano)
- Risco de marcação a mercado: praticamente zero
- Liquidez: a melhor entre todos os títulos
- Indicado para: reserva de emergência e objetivos de curto prazo
O Tesouro Selic é a alternativa mais inteligente à poupança. Enquanto a caderneta rende apenas 70% da Selic quando a taxa está acima de 8,5% ao ano, o Tesouro Selic paga praticamente 100% da Selic descontadas as taxas. Saiba mais sobre essa comparação no nosso artigo poupança vs CDB.
Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal e NTN-B)
O Tesouro IPCA+ oferece rentabilidade composta por uma taxa fixa mais a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o indicador oficial de inflação no Brasil medido pelo IBGE.
Características principais:
- Rentabilidade: IPCA + taxa prefixada (ex: IPCA + 6,50% ao ano)
- Proteção contra inflação: seu poder de compra é preservado
- Volatilidade: alta no curto prazo (marcação a mercado)
- Indicado para: aposentadoria, objetivos de longo prazo
Existem duas variantes:
- IPCA+ (NTN-B Principal): paga tudo no vencimento
- IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B): paga cupons a cada 6 meses
Para quem pensa em aposentadoria, vale também avaliar a previdência privada PGBL e VGBL como complemento.
Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F)
O Tesouro Prefixado tem rentabilidade definida no momento da compra. Você sabe exatamente quanto vai receber se mantiver o título até o vencimento.
Características principais:
- Rentabilidade: taxa fixa definida na compra (ex: 14,50% ao ano)
- Previsibilidade: valor final conhecido desde o início
- Volatilidade: alta no curto prazo
- Indicado para: quando se acredita que os juros vão cair
Também possui duas variantes:
- Prefixado (LTN): pagamento integral no vencimento
- Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F): cupons semestrais
Tabela Comparativa dos Títulos
| Característica | Tesouro Selic | Tesouro IPCA+ | Tesouro Prefixado |
|---|---|---|---|
| Rentabilidade | Selic (13,25% a.a.) | IPCA + ~6,50% a.a. | ~14,50% a.a. |
| Proteção inflação | Parcial | Total | Nenhuma |
| Volatilidade | Muito baixa | Alta | Alta |
| Melhor prazo | Curto prazo | Longo prazo | Médio prazo |
| Risco de perda | Mínimo | Sim (venda antecipada) | Sim (venda antecipada) |
| Pagamento | No vencimento | No vencimento ou semestral | No vencimento ou semestral |
| Indicação | Reserva de emergência | Aposentadoria, faculdade | Aposta em queda de juros |
Como Investir no Tesouro Direto: Passo a Passo
Investir no Tesouro Direto é mais simples do que muita gente imagina. Siga este passo a passo:
1. Abra conta em uma corretora
Escolha uma corretora habilitada junto à B3. Hoje, a maioria das corretoras oferece taxa zero para Tesouro Direto. Verifique se a instituição é registrada na CVM e no Banco Central.
2. Faça o cadastro no Tesouro Direto
Com a conta aberta, a própria corretora faz seu cadastro no programa do Tesouro Direto. Você receberá login e senha para acessar a área do investidor no site do Tesouro Nacional.
3. Transfira o dinheiro
Envie o valor que deseja investir para sua conta na corretora via TED ou Pix. O investimento mínimo é de aproximadamente R$ 30 (0,01 título).
4. Escolha o título
Analise seus objetivos, prazo e perfil de risco para selecionar o título mais adequado. Use a tabela comparativa acima como referência.
5. Confirme a compra
Selecione o título, defina o valor e confirme. O título entra na sua custódia em D+1 (um dia útil após a compra).
Taxas e Custos do Tesouro Direto
Antes de investir, é importante conhecer todos os custos envolvidos:
Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos. Desde agosto de 2020, investimentos de até R$ 10.000 em Tesouro Selic são isentos desta taxa.
Taxa da corretora: a maioria das corretoras zerou essa taxa. Confirme com a sua.
IOF: incide sobre resgates realizados nos primeiros 30 dias, seguindo tabela regressiva que vai de 96% (1 dia) a 0% (30 dias).
Imposto de Renda: segue tabela regressiva:
| Prazo | Alíquota IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
O IR incide apenas sobre o rendimento, não sobre o valor total investido. Para quem busca investimentos com menor tributação, vale conferir nosso comparativo de CDB, LCI e LCA, já que LCI e LCA são isentos de IR para pessoa física.
Quando Usar Cada Tipo de Título
A escolha do título ideal depende do seu objetivo financeiro e do prazo de investimento:
Reserva de emergência → Tesouro Selic
A liquidez diária e a baixíssima volatilidade fazem do Tesouro Selic a escolha perfeita para o dinheiro que você pode precisar a qualquer momento.
Aposentadoria e longo prazo → Tesouro IPCA+
A proteção contra a inflação garante que seu poder de compra será preservado ao longo de décadas. Para objetivos acima de 5 anos, este é o título mais indicado.
Aposta em queda de juros → Tesouro Prefixado
Se você acredita que a Selic vai cair, o Prefixado permite travar uma taxa alta. Quando os juros caem, o preço do título sobe, gerando ganho de capital.
Para entender melhor como a Selic influencia cada tipo de investimento, leia nosso artigo sobre o impacto da Selic nos investimentos.
Riscos do Tesouro Direto
Apesar de ser o investimento mais seguro do Brasil, o Tesouro Direto não é isento de riscos:
Risco de mercado (marcação a mercado): os títulos IPCA+ e Prefixado sofrem oscilação de preço antes do vencimento. Se você vender antes da data de vencimento, pode receber menos do que investiu.
Risco de crédito: embora extremamente baixo, existe o risco teórico de o governo não honrar a dívida. O Brasil nunca deu calote em títulos públicos internos denominados em reais.
Risco de inflação (Prefixado): se a inflação subir muito acima do esperado, o Tesouro Prefixado pode perder para a inflação em termos reais.
Tesouro Direto vs Outros Investimentos de Renda Fixa
O Tesouro Direto compete diretamente com outros produtos de renda fixa. Veja como ele se compara:
| Critério | Tesouro Direto | CDB | LCI/LCA | Poupança |
|---|---|---|---|---|
| Garantia | Governo Federal | FGC (até R$ 250 mil) | FGC (até R$ 250 mil) | FGC (até R$ 250 mil) |
| Tributação | IR regressivo | IR regressivo | Isento de IR | Isento de IR |
| Investimento mínimo | ~R$ 30 | Varia (R$ 1 a R$ 5.000) | Varia (R$ 1.000+) | R$ 1 |
| Liquidez | Diária (D+1) | Varia | Geralmente no vencimento | Imediata |
| Rentabilidade | Boa a excelente | Boa a excelente | Boa (isenta de IR) | Baixa |
Para uma análise mais aprofundada sobre renda fixa em geral, confira nosso guia de como investir em renda fixa em 2026.
Estratégias Avançadas com Tesouro Direto
Investidores mais experientes podem utilizar estratégias para potencializar os retornos:
Escada de vencimentos (laddering): distribua seus investimentos em títulos com diferentes vencimentos para equilibrar rentabilidade e liquidez.
Marcação a mercado favorável: compre Tesouro IPCA+ ou Prefixado quando as taxas estão altas e venda quando caírem, lucrando com a valorização do preço do título.
Combinação Selic + IPCA+: mantenha a reserva de emergência no Tesouro Selic e direcione o longo prazo para IPCA+, garantindo proteção contra inflação e liquidez quando necessário.
Simulação: Quanto Rende R$ 10.000 no Tesouro Direto
Para ilustrar, veja quanto renderia um investimento de R$ 10.000 em cada título, considerando as taxas atuais e prazo de 2 anos:
| Título | Rendimento Bruto | IR (17,5%) | Taxa B3 | Rendimento Líquido | Total Final |
|---|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | R$ 2.825 | R$ 494 | R$ 40 | R$ 2.291 | R$ 12.291 |
| Tesouro IPCA+ 6,5% | R$ 3.010* | R$ 527 | R$ 40 | R$ 2.443 | R$ 12.443 |
| Tesouro Prefixado 14,5% | R$ 3.100 | R$ 543 | R$ 40 | R$ 2.517 | R$ 12.517 |
*Considerando IPCA de 4,5% ao ano. Valores aproximados para fins ilustrativos.
Para quem está começando com valores menores, confira nosso artigo sobre o melhor investimento com R$ 100.
Perguntas Frequentes
O Tesouro Direto é realmente seguro?
Sim, o Tesouro Direto é considerado o investimento mais seguro do Brasil. Os títulos são garantidos pelo Governo Federal, que é o emissor com menor risco de crédito do país. Mesmo o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que protege CDB e poupança, é considerado menos sólido que a garantia soberana.
Qual o valor mínimo para investir no Tesouro Direto?
O investimento mínimo é de 0,01 título (1% do valor de um título inteiro), o que equivale a aproximadamente R$ 30, dependendo do título escolhido. Isso torna o Tesouro Direto acessível para praticamente qualquer investidor.
Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?
Se você mantiver o título até o vencimento, receberá exatamente a rentabilidade contratada. Porém, se vender Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado antes do vencimento, pode ter prejuízo devido à marcação a mercado. O Tesouro Selic praticamente não apresenta esse risco.
Como declarar Tesouro Direto no Imposto de Renda?
Os rendimentos do Tesouro Direto devem ser informados na ficha "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva" da declaração anual do IRPF. O saldo dos títulos vai na ficha "Bens e Direitos", código 45. A corretora fornece o informe de rendimentos com todos os dados necessários.
Tesouro Direto é melhor que poupança?
Na grande maioria dos cenários, sim. O Tesouro Selic rende mais que a poupança e tem segurança equivalente ou superior. A poupança rende apenas 70% da Selic (quando a taxa está acima de 8,5% a.a.), enquanto o Tesouro Selic acompanha praticamente 100% da taxa básica. Veja nossa comparação detalhada em poupança vs CDB.


